Dizem que a grama sempre é mais verde do outro lado da cerca...
Me pergunto à quantas anda a minha grama.
Bom, na verdade, não é a minha grama que realmente me interessa. Como péssima jardineira que sou, é óbvio, que ela não está verdinha.
Hajam "aditivos"... faço uso de alguns na esperança de que a vida [junto com a grama] siga o ciclo inerente às coisas vívidas do mundo.
O lance é que algo deslocou meu pensamento do meu gramado para o outro lado, penso no gramado vizinho.
Gramado conhecido... do qual trago lembranças.
Sorrisos... abraços... mãos dadas... choro.
Quero sentir o cheiro da chuva na terra, quero ver minha gramínia verde coberta de gotículas...
Sentir o cheiro da vida...
Minha vida?
I don't know.
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
A árvore inútil
“Os que vivem sob a compulsão da utilidade buscam algo inatingível.
Quem vive sob a graça da inutilidade não quer chegar a lugar algum.
Como no fruir de um poema, o prazer mora no descompromisso.
Terceiro dos grandes mestres do Taoísmo, Chuang-Tzu, a ele se atribui esta estória. Nan-Po Tzu-ki atravessa a colina de Chang. Ele percebeu uma árvore surpreendentemente grande. Sua sombra podia cobrir mil carroças com quatro cavalos.
- Que árvore é essa?, pergunta-se Tzu-ki. Para que pode servir? Olhando-a de baixo, seus pequenos ramos curvos e torcidos não podem ser transformados nem em vigas nem em cumeeiras. Olhando-a do alto, seu grande tronco, nodoso e rachado, não pode servir para fabricar coisa alguma, nem mesmo ataúdes. Aquele que lamber suas folhas ficará com a boca ulcerada e cheia de abcessos. Só de sentir seu cheiro fica-se logo tonto e embriagado por três dias.
Tzu-ki conclui – Esta árvore não é realmente utilizável e, por essa razão, conseguiu atingir tal porte. Ah! O homem divino, por sua vez, não passa de madeira que não pode ser utilizada.
Desta árvore solitária e extraordinária na colina de Chang eu me lembro ao ler a notícia sobre um homem tão solitário quanto e muito mais extraordinário que ela... Só podia ser o homem divino a que se referia Chuang-Tzu. O seu nome: Takeshi Nojima. Imigrante japonês, com 80 anos, já vendeu tomates, criou bicho-da-seda e foi dono de mercearia. Preparava-se para prestar vestibular de medicina. E ele se explicava: “Parte de minha vida passei cuidando dos meus pais. Outra parte cuidando dos meus filhos. Chegou, finalmente, a hora de cuidar de mim mesmo. Sempre sonhei em estudar medicina. Quero agora realizar o meu sonho.”
Meu primeiro impulso foi o de rir ante a loucura de um velho. Será que ele não sabe somar os anos? Será que ele não tem consciência dos limites da vida?
Mas logo, um sopro de sabedoria me salvou. Sorri. E pensei: “É claro que ele sabe de todas as coisas. É claro que ele sabe que, provavelmente, não haverá tempo para o exercício da sua profissão. Ele sabe que tudo é inútil. E, a despeito disso, o faz. Inútil como aquela árvore que não vivia pelos usos que pudesse ter, mas pela pura alegria de ser.”
Utilidade. Colheres, facas, vassouras, alicates, martelos, palitos, pentes, escovas: são todos úteis. Sua razão de ser é aquilo que se pode fazer com eles. São ferramentas, meios, pontes, caminhos para outras coisas diferentes deles... Em si mesmos, não dão nem prazer nem alegria a ninguém.
Inutilidade. A sonata de Domenico Scarlatti que ouço tocada ao cravo, enquanto escrevo esta crônica. O pequeno poema de Emily Dickinson que repito de cor. O cálice de licor que bebo. As ninféias de Monet sobre que se demoram meus olhos. O bonsai de que cuido. A pipa na mão do menino. A boneca no colo da menina. A mão querida que me toca. Não servem para nada. Não são ferramentas úteis para realizar tarefas. Nem são caminhos ou pontes. Quem tem essas coisas não precisa de ferramentas, pois com elas cessa o desejo de ir. Não é preciso ir, porque já se chegou lá, no lugar da alegria. O prazer e a alegria moram na inutilidade.
E pensei então que aquele homem divino ia fazer o seu curso de medicina como quem escreve um poema, ou toca uma sonata, ou planta um bonsai, ou empina uma pipa, por nada, pelo puro prazer de ser.
Os que vivem sob a compulsão da utilidade trabalham. E o tempo todo estão em busca de algo inatingível que se encontra depois de terminada a tarefa, ao fim do caminho, do outro lado da ponte, e que se afasta sempre.
Os que vivem sob a graça da inutilidade não querem chegar a lugar algum. Porque já chegaram. Quero ficar na sonata, no poema, no licor, nas ninféias, no bonsai, na pipa, na boneca, na mão que me toca. Por isso amo as pessoas divinas, árvores solitárias na colina, madeira que não pode ser utilizada. Amo aqueles que se entregam a gestos loucos e inúteis – pela pura alegria de ser. Amo aquele imigrante japonês desconhecido, que se plantou como bonsai, num gesto em tudo parecido ao gesto poético de um outro homem divino, da mesma raça, Hokusai (1760-1849), ao se aproximar da gloriosa idade de 80 anos.
Eis o que ele escreveu: Desde os 6 anos tenho mania de desenhar a forma das coisas. Aos 50 publiquei uma infinidade de desenhos. Mas tudo o que eu produzi antes dos 70 não é digno de ser levado em conta. Aos 73 anos aprendi um pouco sobre a verdadeira estrutura da natureza dos animais, plantas, pássaros, peixes e insetos. Com certeza, quando tiver 80 anos, terei realizado mais progresso; aos 90, penetrarei no mistério das Coisas; aos 100, por certo, terei atingido uma fase maravilhosa e, quando tiver 110, qualquer coisa que fizer, seja um ponto ou um linha, terá vida.
Vejo, no alto da colina de Chang, não uma árvore, mas duas. Suas idades somam 160 anos. Elas conversam e se sacodem de tanto rir. Falam sobre os próximos 160 anos que se seguirão...”
[Rubem Alves]
Quem vive sob a graça da inutilidade não quer chegar a lugar algum.
Como no fruir de um poema, o prazer mora no descompromisso.
Terceiro dos grandes mestres do Taoísmo, Chuang-Tzu, a ele se atribui esta estória. Nan-Po Tzu-ki atravessa a colina de Chang. Ele percebeu uma árvore surpreendentemente grande. Sua sombra podia cobrir mil carroças com quatro cavalos.
- Que árvore é essa?, pergunta-se Tzu-ki. Para que pode servir? Olhando-a de baixo, seus pequenos ramos curvos e torcidos não podem ser transformados nem em vigas nem em cumeeiras. Olhando-a do alto, seu grande tronco, nodoso e rachado, não pode servir para fabricar coisa alguma, nem mesmo ataúdes. Aquele que lamber suas folhas ficará com a boca ulcerada e cheia de abcessos. Só de sentir seu cheiro fica-se logo tonto e embriagado por três dias.
Tzu-ki conclui – Esta árvore não é realmente utilizável e, por essa razão, conseguiu atingir tal porte. Ah! O homem divino, por sua vez, não passa de madeira que não pode ser utilizada.
Desta árvore solitária e extraordinária na colina de Chang eu me lembro ao ler a notícia sobre um homem tão solitário quanto e muito mais extraordinário que ela... Só podia ser o homem divino a que se referia Chuang-Tzu. O seu nome: Takeshi Nojima. Imigrante japonês, com 80 anos, já vendeu tomates, criou bicho-da-seda e foi dono de mercearia. Preparava-se para prestar vestibular de medicina. E ele se explicava: “Parte de minha vida passei cuidando dos meus pais. Outra parte cuidando dos meus filhos. Chegou, finalmente, a hora de cuidar de mim mesmo. Sempre sonhei em estudar medicina. Quero agora realizar o meu sonho.”
Meu primeiro impulso foi o de rir ante a loucura de um velho. Será que ele não sabe somar os anos? Será que ele não tem consciência dos limites da vida?
Mas logo, um sopro de sabedoria me salvou. Sorri. E pensei: “É claro que ele sabe de todas as coisas. É claro que ele sabe que, provavelmente, não haverá tempo para o exercício da sua profissão. Ele sabe que tudo é inútil. E, a despeito disso, o faz. Inútil como aquela árvore que não vivia pelos usos que pudesse ter, mas pela pura alegria de ser.”
Utilidade. Colheres, facas, vassouras, alicates, martelos, palitos, pentes, escovas: são todos úteis. Sua razão de ser é aquilo que se pode fazer com eles. São ferramentas, meios, pontes, caminhos para outras coisas diferentes deles... Em si mesmos, não dão nem prazer nem alegria a ninguém.
Inutilidade. A sonata de Domenico Scarlatti que ouço tocada ao cravo, enquanto escrevo esta crônica. O pequeno poema de Emily Dickinson que repito de cor. O cálice de licor que bebo. As ninféias de Monet sobre que se demoram meus olhos. O bonsai de que cuido. A pipa na mão do menino. A boneca no colo da menina. A mão querida que me toca. Não servem para nada. Não são ferramentas úteis para realizar tarefas. Nem são caminhos ou pontes. Quem tem essas coisas não precisa de ferramentas, pois com elas cessa o desejo de ir. Não é preciso ir, porque já se chegou lá, no lugar da alegria. O prazer e a alegria moram na inutilidade.
E pensei então que aquele homem divino ia fazer o seu curso de medicina como quem escreve um poema, ou toca uma sonata, ou planta um bonsai, ou empina uma pipa, por nada, pelo puro prazer de ser.
Os que vivem sob a compulsão da utilidade trabalham. E o tempo todo estão em busca de algo inatingível que se encontra depois de terminada a tarefa, ao fim do caminho, do outro lado da ponte, e que se afasta sempre.
Os que vivem sob a graça da inutilidade não querem chegar a lugar algum. Porque já chegaram. Quero ficar na sonata, no poema, no licor, nas ninféias, no bonsai, na pipa, na boneca, na mão que me toca. Por isso amo as pessoas divinas, árvores solitárias na colina, madeira que não pode ser utilizada. Amo aqueles que se entregam a gestos loucos e inúteis – pela pura alegria de ser. Amo aquele imigrante japonês desconhecido, que se plantou como bonsai, num gesto em tudo parecido ao gesto poético de um outro homem divino, da mesma raça, Hokusai (1760-1849), ao se aproximar da gloriosa idade de 80 anos.
Eis o que ele escreveu: Desde os 6 anos tenho mania de desenhar a forma das coisas. Aos 50 publiquei uma infinidade de desenhos. Mas tudo o que eu produzi antes dos 70 não é digno de ser levado em conta. Aos 73 anos aprendi um pouco sobre a verdadeira estrutura da natureza dos animais, plantas, pássaros, peixes e insetos. Com certeza, quando tiver 80 anos, terei realizado mais progresso; aos 90, penetrarei no mistério das Coisas; aos 100, por certo, terei atingido uma fase maravilhosa e, quando tiver 110, qualquer coisa que fizer, seja um ponto ou um linha, terá vida.
Vejo, no alto da colina de Chang, não uma árvore, mas duas. Suas idades somam 160 anos. Elas conversam e se sacodem de tanto rir. Falam sobre os próximos 160 anos que se seguirão...”
[Rubem Alves]
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Free Hugs
sexta-feira, 20 de julho de 2007
quinta-feira, 31 de maio de 2007
Um dia
"...Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem.
Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela...
Um dia nós percebemos que as mulheres têm instinto "caçador" e fazem qualquer homem sofrer...
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável...
Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples...
Um dia percebemos que o comum não nos atrai...
Um dia saberemos que ser classificado como "bonzinho" não é bom...
Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você...
Um dia saberemos a importância da frase: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..."
Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso...
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais...
Enfim...
Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer o que tem de ser dito...
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras...
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.
Para o homem provar que é homem, não precisa ter mil mulheres. Basta fazer uma feliz..."
[Mário Quintana]
Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela...
Um dia nós percebemos que as mulheres têm instinto "caçador" e fazem qualquer homem sofrer...
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável...
Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples...
Um dia percebemos que o comum não nos atrai...
Um dia saberemos que ser classificado como "bonzinho" não é bom...
Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você...
Um dia saberemos a importância da frase: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..."
Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso...
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais...
Enfim...
Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer o que tem de ser dito...
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras...
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.
Para o homem provar que é homem, não precisa ter mil mulheres. Basta fazer uma feliz..."
[Mário Quintana]
quarta-feira, 16 de maio de 2007
Motivo.Mudança
A ausência de post's nesse blog deve-se à mais uma de minhas mudanças.
Depois de desmontar, encaixotar, carregar, remontar e arrumar minhas coisas tantas vezes, comecei a me questionar o motivo de cada uma dessas mudanças.
Percebi que em todas, eu estava tentando fugir de algo.
Fosse dos meus pais, das minhas dores, do cansaço ocasionado pelo transporte pendular. No fundo eu apenas queria me ver livre de algo e achava que a melhor saída era juntar todas as minhas coisas e partir para meu mais novo lar.
Após mais uma mudança, confesso que nenhuma das anteriores surtiu efeito [dãããã... se algo de positivo tivesse ocorrido, eu não estaria me mudando novamente].
Muito pelo contrário, cada uma dessas mudanças acabou me gerando uma nova frustração, que ocasionou um trauma. Por que ao invés de encarar o que me desagradava e achar uma maneira de resolver o problema, eu fugi.
Bom, vou voltar pra minha bagunça e deixar aqui em poema que tomei conhecimento através do filme "La Stanza Del Figlio", de Nanni Moretti.
[Recomendo o fime]
Não sei quem é o autor do poema, mas gostei muito dele.
Esse desenho que uso é de um cara que conheci no orkut.
Créditos
Profile: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=10561885234378945650
Site: http://www.perisse.nu/
Os Dedos do Pé
" Mas que diabos acontece?
Que raio de dedos são estes
Que não se importam com nada?
Serão ainda meus dedos?
Esqueceram os velhos tempos
O que significava estar vivo então
Sempre na primeira fila
Os primeiros a ir para a pista
Assim que a música comaçava? "
Depois de desmontar, encaixotar, carregar, remontar e arrumar minhas coisas tantas vezes, comecei a me questionar o motivo de cada uma dessas mudanças.
Percebi que em todas, eu estava tentando fugir de algo.
Fosse dos meus pais, das minhas dores, do cansaço ocasionado pelo transporte pendular. No fundo eu apenas queria me ver livre de algo e achava que a melhor saída era juntar todas as minhas coisas e partir para meu mais novo lar.
Após mais uma mudança, confesso que nenhuma das anteriores surtiu efeito [dãããã... se algo de positivo tivesse ocorrido, eu não estaria me mudando novamente].
Muito pelo contrário, cada uma dessas mudanças acabou me gerando uma nova frustração, que ocasionou um trauma. Por que ao invés de encarar o que me desagradava e achar uma maneira de resolver o problema, eu fugi.
Bom, vou voltar pra minha bagunça e deixar aqui em poema que tomei conhecimento através do filme "La Stanza Del Figlio", de Nanni Moretti.
[Recomendo o fime]
Não sei quem é o autor do poema, mas gostei muito dele.
Esse desenho que uso é de um cara que conheci no orkut.
Créditos
Profile: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=10561885234378945650
Site: http://www.perisse.nu/
Os Dedos do Pé
" Mas que diabos acontece?
Que raio de dedos são estes
Que não se importam com nada?
Serão ainda meus dedos?
Esqueceram os velhos tempos
O que significava estar vivo então
Sempre na primeira fila
Os primeiros a ir para a pista
Assim que a música comaçava? "
quarta-feira, 9 de maio de 2007
Metáforas biográficas
É, eu realmente aprendi que a vida não pára.
Enquanto eu me sentei para tentar juntar os pedaços do meu coração, a vida acontecia ao meu redor. O mundo girava ininterruptamente enquanto eu me lamentava e secava minhas lágrimas.
Com isso, só consegui mais dor e sofrimento.
Pois as pessoas precisavam seguir seu caminho e com meu bonde parado naquela mesma estação, gradativamente, uma à uma, cada uma das pessoas que se encontrava comigo naquele bonde, estagnado, foi pegando seu rumo e embarcando em um dos outros bondes que por nós passava, dando continuidade ao seu caminho.
Por muito tempo lá fiquei, espraguejando aquela máquina inerte, tentando fazer com que ela voltasse ao seu trilho e desse continuidade ao meu caminho. Foi uma luta em vão. Não havia esforço que fosse recompensado.
Eu lutava com algo que já não tinha mais “vida”... sua utilidade extinguira-se. E eu não quis enxergar que devia largar aquele bonde e enquanto um outro não passasse, deveria cuidar da estação.
Pintar, limpar, plantar flores... trazer àquele lugar cores.
Ok, ok!
Eu talvez não tenha me esforçado o suficiente, dirão uns; outros se penalizarão [desnecessariamente, afinal, não sou nenhuma injustiçada pela vida.].
Mas ouso dizer que fiz tudo o que pude, aquilo era o máximo que podia na época.
Estava tão enceguerada pela minha dor que preferi não enxergar a realidade, e tapar meus ouvidos aos pensamentos que ecoavam em minha mente.
Perdi tempo, perdi pessoas, perdi oportunidades... e só hoje sou capaz de entender isso.
Mas pude aprender muito à respeito de mim mesma, daquelas pessoas que me abandonaram, da vida...
Com o tempo, outras pessoas foram aparecendo.
Algumas apenas pintaram uma parede e se foram, outras, estão no trabalho diário de embelezar a estação junto comigo.
Elas vão e vêm.
Meu velho bonde deu lugar a um novo. Construído com muito esforço, muito mais dos que me cercam, do que meu, que mesmo nas horas mais árduas se negam a partir.
Com muita ajuda, estou o fazendo rodar.
E já tenho uma certa confiança para construir meus próprios trilhos, seguindo aquele caminho que julgo ser o certo.
Talvez descubra que mais vez errei quando desembarcar na última plataforma. Mas, ao menos, terei trilhado o caminho que escolhi.
Não terei apenas ficado a lamentar-me, sentada na estação, do que já foi, apenas supondo o que vai ser e sofrendo por algo que nem sei se realmente não será.
Mesmo com o coração na mão, tive que deixar aquele velho bonde, incapaz de voltar a rodar, de lado e embarcar no novo.
Com medo, lógico. Mas com coragem.
Fechei os olhos e fui.
Quando lá cheguei, vi que muitos estavam comigo... várias mãos para me amparar.
De vez em quando o velho bonde me vêm à memória.
Acreditei que juntos: eu, ele e os demais integrantes, fôssemos rodar até o fim. E por vezes sinto falta do que vivemos juntos. Das histórias, dos sentimentos que brotaram, dos sonhos não concretizados, das pessoas que partilharam o percurso e de tudo o mais que vivi à bordo dele, cercada por cada uma daquelas pessoas, que foram tão importantes em minha vida.
Então eu paro por alguns instantes, tomo algo, fumo um cigarro e anuncio que em 5 minutos estaremos partindo.
Rodar ainda é difícil...
Meus trilhos encontram-se obstruídos em alguns trechos. Mas sei que posso contar com mãos amigas que me auxiliam na remoção dos obstáculos.
É, a vida não pára...
Mesmo que nosso mundo tenha sido dizimado.
______________________________________________________________
Esse texto brotou após eu ter visto o dvd do Lenine com minha mãe, nessa tarde chuvosa.
Enquanto eu ouvi uma música, as palavras surgiam em turbilhões em minha mente... e quando vi, havia sintetizado o que aprendi com as dolorosas experiências que tive.
Foi exatmente esse trecho da música que me fez refletir...
♫♫ Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára ♫♫
[Paciência - Lenine]
P.S.: se der, escutem-na.
Enquanto eu me sentei para tentar juntar os pedaços do meu coração, a vida acontecia ao meu redor. O mundo girava ininterruptamente enquanto eu me lamentava e secava minhas lágrimas.
Com isso, só consegui mais dor e sofrimento.
Pois as pessoas precisavam seguir seu caminho e com meu bonde parado naquela mesma estação, gradativamente, uma à uma, cada uma das pessoas que se encontrava comigo naquele bonde, estagnado, foi pegando seu rumo e embarcando em um dos outros bondes que por nós passava, dando continuidade ao seu caminho.
Por muito tempo lá fiquei, espraguejando aquela máquina inerte, tentando fazer com que ela voltasse ao seu trilho e desse continuidade ao meu caminho. Foi uma luta em vão. Não havia esforço que fosse recompensado.
Eu lutava com algo que já não tinha mais “vida”... sua utilidade extinguira-se. E eu não quis enxergar que devia largar aquele bonde e enquanto um outro não passasse, deveria cuidar da estação.
Pintar, limpar, plantar flores... trazer àquele lugar cores.
Ok, ok!
Eu talvez não tenha me esforçado o suficiente, dirão uns; outros se penalizarão [desnecessariamente, afinal, não sou nenhuma injustiçada pela vida.].
Mas ouso dizer que fiz tudo o que pude, aquilo era o máximo que podia na época.
Estava tão enceguerada pela minha dor que preferi não enxergar a realidade, e tapar meus ouvidos aos pensamentos que ecoavam em minha mente.
Perdi tempo, perdi pessoas, perdi oportunidades... e só hoje sou capaz de entender isso.
Mas pude aprender muito à respeito de mim mesma, daquelas pessoas que me abandonaram, da vida...
Com o tempo, outras pessoas foram aparecendo.
Algumas apenas pintaram uma parede e se foram, outras, estão no trabalho diário de embelezar a estação junto comigo.
Elas vão e vêm.
Meu velho bonde deu lugar a um novo. Construído com muito esforço, muito mais dos que me cercam, do que meu, que mesmo nas horas mais árduas se negam a partir.
Com muita ajuda, estou o fazendo rodar.
E já tenho uma certa confiança para construir meus próprios trilhos, seguindo aquele caminho que julgo ser o certo.
Talvez descubra que mais vez errei quando desembarcar na última plataforma. Mas, ao menos, terei trilhado o caminho que escolhi.
Não terei apenas ficado a lamentar-me, sentada na estação, do que já foi, apenas supondo o que vai ser e sofrendo por algo que nem sei se realmente não será.
Mesmo com o coração na mão, tive que deixar aquele velho bonde, incapaz de voltar a rodar, de lado e embarcar no novo.
Com medo, lógico. Mas com coragem.
Fechei os olhos e fui.
Quando lá cheguei, vi que muitos estavam comigo... várias mãos para me amparar.
De vez em quando o velho bonde me vêm à memória.
Acreditei que juntos: eu, ele e os demais integrantes, fôssemos rodar até o fim. E por vezes sinto falta do que vivemos juntos. Das histórias, dos sentimentos que brotaram, dos sonhos não concretizados, das pessoas que partilharam o percurso e de tudo o mais que vivi à bordo dele, cercada por cada uma daquelas pessoas, que foram tão importantes em minha vida.
Então eu paro por alguns instantes, tomo algo, fumo um cigarro e anuncio que em 5 minutos estaremos partindo.
Rodar ainda é difícil...
Meus trilhos encontram-se obstruídos em alguns trechos. Mas sei que posso contar com mãos amigas que me auxiliam na remoção dos obstáculos.
É, a vida não pára...
Mesmo que nosso mundo tenha sido dizimado.
______________________________________________________________
Esse texto brotou após eu ter visto o dvd do Lenine com minha mãe, nessa tarde chuvosa.
Enquanto eu ouvi uma música, as palavras surgiam em turbilhões em minha mente... e quando vi, havia sintetizado o que aprendi com as dolorosas experiências que tive.
Foi exatmente esse trecho da música que me fez refletir...
♫♫ Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára ♫♫
[Paciência - Lenine]
P.S.: se der, escutem-na.
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