É, eu realmente aprendi que a vida não pára.
Enquanto eu me sentei para tentar juntar os pedaços do meu coração, a vida acontecia ao meu redor. O mundo girava ininterruptamente enquanto eu me lamentava e secava minhas lágrimas.
Com isso, só consegui mais dor e sofrimento.
Pois as pessoas precisavam seguir seu caminho e com meu bonde parado naquela mesma estação, gradativamente, uma à uma, cada uma das pessoas que se encontrava comigo naquele bonde, estagnado, foi pegando seu rumo e embarcando em um dos outros bondes que por nós passava, dando continuidade ao seu caminho.
Por muito tempo lá fiquei, espraguejando aquela máquina inerte, tentando fazer com que ela voltasse ao seu trilho e desse continuidade ao meu caminho. Foi uma luta em vão. Não havia esforço que fosse recompensado.
Eu lutava com algo que já não tinha mais “vida”... sua utilidade extinguira-se. E eu não quis enxergar que devia largar aquele bonde e enquanto um outro não passasse, deveria cuidar da estação.
Pintar, limpar, plantar flores... trazer àquele lugar cores.
Ok, ok!
Eu talvez não tenha me esforçado o suficiente, dirão uns; outros se penalizarão [desnecessariamente, afinal, não sou nenhuma injustiçada pela vida.].
Mas ouso dizer que fiz tudo o que pude, aquilo era o máximo que podia na época.
Estava tão enceguerada pela minha dor que preferi não enxergar a realidade, e tapar meus ouvidos aos pensamentos que ecoavam em minha mente.
Perdi tempo, perdi pessoas, perdi oportunidades... e só hoje sou capaz de entender isso.
Mas pude aprender muito à respeito de mim mesma, daquelas pessoas que me abandonaram, da vida...
Com o tempo, outras pessoas foram aparecendo.
Algumas apenas pintaram uma parede e se foram, outras, estão no trabalho diário de embelezar a estação junto comigo.
Elas vão e vêm.
Meu velho bonde deu lugar a um novo. Construído com muito esforço, muito mais dos que me cercam, do que meu, que mesmo nas horas mais árduas se negam a partir.
Com muita ajuda, estou o fazendo rodar.
E já tenho uma certa confiança para construir meus próprios trilhos, seguindo aquele caminho que julgo ser o certo.
Talvez descubra que mais vez errei quando desembarcar na última plataforma. Mas, ao menos, terei trilhado o caminho que escolhi.
Não terei apenas ficado a lamentar-me, sentada na estação, do que já foi, apenas supondo o que vai ser e sofrendo por algo que nem sei se realmente não será.
Mesmo com o coração na mão, tive que deixar aquele velho bonde, incapaz de voltar a rodar, de lado e embarcar no novo.
Com medo, lógico. Mas com coragem.
Fechei os olhos e fui.
Quando lá cheguei, vi que muitos estavam comigo... várias mãos para me amparar.
De vez em quando o velho bonde me vêm à memória.
Acreditei que juntos: eu, ele e os demais integrantes, fôssemos rodar até o fim. E por vezes sinto falta do que vivemos juntos. Das histórias, dos sentimentos que brotaram, dos sonhos não concretizados, das pessoas que partilharam o percurso e de tudo o mais que vivi à bordo dele, cercada por cada uma daquelas pessoas, que foram tão importantes em minha vida.
Então eu paro por alguns instantes, tomo algo, fumo um cigarro e anuncio que em 5 minutos estaremos partindo.
Rodar ainda é difícil...
Meus trilhos encontram-se obstruídos em alguns trechos. Mas sei que posso contar com mãos amigas que me auxiliam na remoção dos obstáculos.
É, a vida não pára...
Mesmo que nosso mundo tenha sido dizimado.
______________________________________________________________
Esse texto brotou após eu ter visto o dvd do Lenine com minha mãe, nessa tarde chuvosa.
Enquanto eu ouvi uma música, as palavras surgiam em turbilhões em minha mente... e quando vi, havia sintetizado o que aprendi com as dolorosas experiências que tive.
Foi exatmente esse trecho da música que me fez refletir...
♫♫ Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára ♫♫
[Paciência - Lenine]
P.S.: se der, escutem-na.
quarta-feira, 9 de maio de 2007
terça-feira, 8 de maio de 2007
A tristeza tem um papel importante em nossa vida
Por que todos os contos de fada terminam com "...e viveram felizes para sempre.", mas sem nunca contar como foi exatamente essa parte da história?
Porque seria, tenho certza, mais inverossímil do que carruagem virando abóbora ou príncipe fazendo rapel nas tranças da moçoila: ninguém, nem nos contos de fada, é feliz para sempre.
E nem poderia ser.
Num de seus livros, Freud cita uma frase de Goethe: "Nada é mais difícil de suportar que uma sucessão de dias belos", e depois comenta: "Mas isso pode ser um exagero."
É um exagero, penso eu, já metendo o bedelho, humildemente, na discussão dos dois grande pensadores.
Muito pior que uma sucessão de dias belos é uma sucessão de dias feios. Ou uma sucessão de chicotadas, de boladas na boca do estômago, de chifres do namorado.
Mas o que Goethe quis dizer e Freud ressaltar, imagio, é que a felicidade, se for seguida de felicidade sempre, perde a graça. Por isso os dias feios, as chicotadas, as boladas e os chifres do namorado são importantes: sem o contraste com os momentos de sofrimento, somos incapazes de ter momentos felizes.
Mais ainda, acredito que só é capaz de viver a felicidade quem está aberto para a tristeza.
É como se a emoção fosse um aparelho de som que tem volume, mas não equalização. Se a gente aumenta os graves, aumentam os agudos junto.
Se formos nos fechando, nos protegendo da dor, das crises, do desconhecido, a gente se machuca menos, mas também vive as partes boas com menos intensidade. Além disso, sofrer é fundamental para crescermos e vermos o verdadeiro tamanho das coisas.
Vinícius de Moraes escreveu um samba que diz assim:
♫♫ É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza (...)
Senão, não se faz um samba não.♫♫
Somos bombardeados com a ilusão de sermos felizes para sempre, ou, dito de uma outra forma, sempre felizes. Seja nas propagandas de margarina, nas revistas de celebridades ou naqueles adesivos tipo "Você já sorriu hoje?", há uma idéia de que a melhor vida é a de quem está sempre com um sorriso de orelha a oelha.
Bobagem.
Sofrer não só é inevitável como é fundamental. É nas crises que a gente muda, descobre onde aperta o sapato e inventa novos caminhos na vida.
Quem sorri o tempo todo ou está usando uma dentadura três números maior que a boca, ou nunca parou para pensar na vida.
Sofrer, pensar, chorar e mudar dá trabalho, mas é o preço da nossa autonomia.
P.S.: alguns anos atrás o Mc Donald's usou a música do Vinícius em um de seus comerciais. Curiosamente, omitiu a segunda estrofe.
Por que será?
Porque seria, tenho certza, mais inverossímil do que carruagem virando abóbora ou príncipe fazendo rapel nas tranças da moçoila: ninguém, nem nos contos de fada, é feliz para sempre.
E nem poderia ser.
Num de seus livros, Freud cita uma frase de Goethe: "Nada é mais difícil de suportar que uma sucessão de dias belos", e depois comenta: "Mas isso pode ser um exagero."
É um exagero, penso eu, já metendo o bedelho, humildemente, na discussão dos dois grande pensadores.
Muito pior que uma sucessão de dias belos é uma sucessão de dias feios. Ou uma sucessão de chicotadas, de boladas na boca do estômago, de chifres do namorado.
Mas o que Goethe quis dizer e Freud ressaltar, imagio, é que a felicidade, se for seguida de felicidade sempre, perde a graça. Por isso os dias feios, as chicotadas, as boladas e os chifres do namorado são importantes: sem o contraste com os momentos de sofrimento, somos incapazes de ter momentos felizes.
Mais ainda, acredito que só é capaz de viver a felicidade quem está aberto para a tristeza.
É como se a emoção fosse um aparelho de som que tem volume, mas não equalização. Se a gente aumenta os graves, aumentam os agudos junto.
Se formos nos fechando, nos protegendo da dor, das crises, do desconhecido, a gente se machuca menos, mas também vive as partes boas com menos intensidade. Além disso, sofrer é fundamental para crescermos e vermos o verdadeiro tamanho das coisas.
Vinícius de Moraes escreveu um samba que diz assim:
♫♫ É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza (...)
Senão, não se faz um samba não.♫♫
Somos bombardeados com a ilusão de sermos felizes para sempre, ou, dito de uma outra forma, sempre felizes. Seja nas propagandas de margarina, nas revistas de celebridades ou naqueles adesivos tipo "Você já sorriu hoje?", há uma idéia de que a melhor vida é a de quem está sempre com um sorriso de orelha a oelha.
Bobagem.
Sofrer não só é inevitável como é fundamental. É nas crises que a gente muda, descobre onde aperta o sapato e inventa novos caminhos na vida.
Quem sorri o tempo todo ou está usando uma dentadura três números maior que a boca, ou nunca parou para pensar na vida.
Sofrer, pensar, chorar e mudar dá trabalho, mas é o preço da nossa autonomia.
P.S.: alguns anos atrás o Mc Donald's usou a música do Vinícius em um de seus comerciais. Curiosamente, omitiu a segunda estrofe.
Por que será?
quarta-feira, 2 de maio de 2007
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Pensei na morte.
A morte deveria ser mais potente do que o próprio amor. Não há ninguém neste mundo que não tenha a sua hora. Com a morte, tudo termina, até mesmo os grandes amores.
Sinto resignação pela minha própria morte.
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Pensei na morte.
A morte deveria ser mais potente do que o próprio amor. Não há ninguém neste mundo que não tenha a sua hora. Com a morte, tudo termina, até mesmo os grandes amores.
Sinto resignação pela minha própria morte.
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terça-feira, 1 de maio de 2007
O que é o amor?
O que é o amor?
Por favor, eu vos suplico uma explicação.
Quando achamos [naquele momento temos a nítida certeza de que já se foi] que tudo passou, a sensação angustiante nos sufoca.
É algo louco.
Por algum fator desconhecido toda a fortaleza vai ao chão destruída pela dor, que bate forte.
Sinto-me como a casa do porquinho que foi pro chão depois de ser assoprada pelo lobo.
Juramos que não vamos mais chorar, que ninguém nesse mundo vale o desespero vivido, que definitivamente está acabado. E quando nos damos conta, lá estamos, em um pranto sufocante, passando noites em claro, se perguntando o "porquê?", nos culpando, julgando-nos incapazes por termos sido rejeitados.
E mesmo depois de tanta dor, de tanta falta de compreensão, de tanto egoísmo, continuamos amando esse indivíduo que nos causa ainda mais dor com sua ausência.
Suplico, me digam o que é o amor!
Causa tanto sofrimento, enlouquece, mata...
Vejo pessoas próximas sofrerem tanto com a falta de reciprocidade amorosa... eu não sei, fico confusa, engulo todas as minhas "idéias amorosas" e rumino-as, na frustrante tentativa de achar uma explicação para algo inexplicável.
O amor segue suas próprias regras. Só que estas não são rígidas, pelo contrário, estão em constante mutação. Variam de uma forma curiosa...
Temperatura, espaço, pressão, tempo, composição do ar,..; tantos elementos interligados, ao mesmo tempo que independem.
As histórias são sempre as mesmas, só que encontramos as mais diversas reações.
Não há como seguir conselhos amorosos, eles são utópicos. Só devemos sentir e através disso escolher o caminho que julgamos ser o "verdadeiro".
Por mais absurdo que ele nos pareça...
Acabo achando que não sofrer por amor é algo irreal. É necessário que se haja dor... mas gostaria que ela não
persistisse.
Estou confusa.
Há tanta informação, tantos pensamentos, pontos obscuros, novas experiências.
Eu tenho medo, mas tenho muito mais medo do que pode não ser.
A frustração é o pior sentimento com que o ser humano têm de lidar.
Mas me digam, por favor me digam, o que é o amor?
Eu espero que ao entender esse sentimento possa fazer parar de doer, possa me desfazer do que não é, do que não será e esquecer o "que foi" [que foi um "que foi" incompleto].
É inevitável não pensar nos sonhos...
Não tenho entendido esse mundo, não tenho entendido a postura das pessoas, não tenho entendido o amor...
Espero que você fique bem.
Pensei em te ligar, mas seus problemas já te consomem e achei melhor que ficasse sozinho com você e tentasse dormir um pouco.
Eu fui atingida pela sua dor...
Só quero que você fique bem
Sei que é difícil e que dói... mas deixa a vida seguir seu ritmo.
Chore quando tiver vontade. E me ligue só para ter a sensação de que estou ao teu lado.
Estou SEMPRE do teu lado, és meu amigo.
E quando descobrir o que é o amor, te contarei.
Don't worry, be happy
Quem souber me conte, please!
Preciso ajudar um amigo.
Preciso que não doa.
Isso existe?
É possível amar tanto uma pessoa e do dia para a noite encará-la como só mais uma pessoa, um mero mortal?
Pra onde vai todo o sentimento, as juras de amor, as promessas, os planos, os sonhos?
Em que lugar nós os despachamos?
Eu preciso saber...
Como esquecer tudo o que foi vivido e encarar a vida com tanta naturalidade?
Eu não compreendo... sou atestadamente incapaz.
Eu não aceito, essa é a verdade. Não aceito o desperdício de sentimento, o descarte do amor.
Me digam, por favor, o que é que acontece.
Me expliquem o amor. E o seu fim [existe fim de amor?]
[Como isso é possível?
Como descobre-se que chegou ao fim?
Como viver com isso?
Como aceitar?
É possível amar eternamente depois do rompimento?
Pq pessoas que se amam não ficam juntas?
Pq todos os finais não são felizes?]
Eu estou indignada com a vida, novamente.
Eu não aceito o seu modo de agir, não é justa a forma como os acontecimentos de desenrolam.
Vida, você realmente és injusta...
Só quero alguém para segurar em minha mão...
"A medida de amar é amar sem medida"
[Números - Engenheiros do Hawaii]
Essa é a única coisa que eu sei do amor...
Por favor, eu vos suplico uma explicação.
Quando achamos [naquele momento temos a nítida certeza de que já se foi] que tudo passou, a sensação angustiante nos sufoca.
É algo louco.
Por algum fator desconhecido toda a fortaleza vai ao chão destruída pela dor, que bate forte.
Sinto-me como a casa do porquinho que foi pro chão depois de ser assoprada pelo lobo.
Juramos que não vamos mais chorar, que ninguém nesse mundo vale o desespero vivido, que definitivamente está acabado. E quando nos damos conta, lá estamos, em um pranto sufocante, passando noites em claro, se perguntando o "porquê?", nos culpando, julgando-nos incapazes por termos sido rejeitados.
E mesmo depois de tanta dor, de tanta falta de compreensão, de tanto egoísmo, continuamos amando esse indivíduo que nos causa ainda mais dor com sua ausência.
Suplico, me digam o que é o amor!
Causa tanto sofrimento, enlouquece, mata...
Vejo pessoas próximas sofrerem tanto com a falta de reciprocidade amorosa... eu não sei, fico confusa, engulo todas as minhas "idéias amorosas" e rumino-as, na frustrante tentativa de achar uma explicação para algo inexplicável.
O amor segue suas próprias regras. Só que estas não são rígidas, pelo contrário, estão em constante mutação. Variam de uma forma curiosa...
Temperatura, espaço, pressão, tempo, composição do ar,..; tantos elementos interligados, ao mesmo tempo que independem.
As histórias são sempre as mesmas, só que encontramos as mais diversas reações.
Não há como seguir conselhos amorosos, eles são utópicos. Só devemos sentir e através disso escolher o caminho que julgamos ser o "verdadeiro".
Por mais absurdo que ele nos pareça...
Acabo achando que não sofrer por amor é algo irreal. É necessário que se haja dor... mas gostaria que ela não
persistisse.
Estou confusa.
Há tanta informação, tantos pensamentos, pontos obscuros, novas experiências.
Eu tenho medo, mas tenho muito mais medo do que pode não ser.
A frustração é o pior sentimento com que o ser humano têm de lidar.
Mas me digam, por favor me digam, o que é o amor?
Eu espero que ao entender esse sentimento possa fazer parar de doer, possa me desfazer do que não é, do que não será e esquecer o "que foi" [que foi um "que foi" incompleto].
É inevitável não pensar nos sonhos...
Não tenho entendido esse mundo, não tenho entendido a postura das pessoas, não tenho entendido o amor...
Espero que você fique bem.
Pensei em te ligar, mas seus problemas já te consomem e achei melhor que ficasse sozinho com você e tentasse dormir um pouco.
Eu fui atingida pela sua dor...
Só quero que você fique bem
Sei que é difícil e que dói... mas deixa a vida seguir seu ritmo.
Chore quando tiver vontade. E me ligue só para ter a sensação de que estou ao teu lado.
Estou SEMPRE do teu lado, és meu amigo.
E quando descobrir o que é o amor, te contarei.
Don't worry, be happy
Quem souber me conte, please!
Preciso ajudar um amigo.
Preciso que não doa.
Isso existe?
É possível amar tanto uma pessoa e do dia para a noite encará-la como só mais uma pessoa, um mero mortal?
Pra onde vai todo o sentimento, as juras de amor, as promessas, os planos, os sonhos?
Em que lugar nós os despachamos?
Eu preciso saber...
Como esquecer tudo o que foi vivido e encarar a vida com tanta naturalidade?
Eu não compreendo... sou atestadamente incapaz.
Eu não aceito, essa é a verdade. Não aceito o desperdício de sentimento, o descarte do amor.
Me digam, por favor, o que é que acontece.
Me expliquem o amor. E o seu fim [existe fim de amor?]
[Como isso é possível?
Como descobre-se que chegou ao fim?
Como viver com isso?
Como aceitar?
É possível amar eternamente depois do rompimento?
Pq pessoas que se amam não ficam juntas?
Pq todos os finais não são felizes?]
Eu estou indignada com a vida, novamente.
Eu não aceito o seu modo de agir, não é justa a forma como os acontecimentos de desenrolam.
Vida, você realmente és injusta...
Só quero alguém para segurar em minha mão...
"A medida de amar é amar sem medida"
[Números - Engenheiros do Hawaii]
Essa é a única coisa que eu sei do amor...
sábado, 28 de abril de 2007
Ciclos em Nossas Vidas
Essa mensagem me foi enviada por minha mãe quando passei por uma grande decepção com uma pessoa que acreditava ser muito diferente do modo que se mostrou.
Nos enganamos com os seres humanos e sofremos, mesmo sendo nós mesmos os responsáveis por nossa cegueira consciente em relação á determinada pessoa.
Quando recebi essa mensagem, cada vez que a lia chorava compulsivamente por não querer me desligar daquele passado que jamais voltará a ser presente.
Estou postando ela aqui hoje, pois essa semana eu consegui lê-la sem que uma única lágrima fosse derramada.
E seguindo sua mensagem, eu me desfiz das coisas que me ligavam à aquele passado.
Encerrei, definitivamente, o ciclo...
______________________________________________________________
______________________________________________________________
“ Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao fim.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando porque isso aconteceu.
Pode dizer para si mesma que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que aconteceram conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternos meninos, adolescentes tardios, filhos culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante [por mais doloroso que seja!] destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração...
...e o desfazer-se de certas lembranças significa abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não tem data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”.
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.
Lembre-se de que houve um tempo em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa de orgulho, por incapacidade, ou por soberba mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.
Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu própria, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és...
E lembre-te:
“Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.”
[Fernando Pessoa] ”
Nos enganamos com os seres humanos e sofremos, mesmo sendo nós mesmos os responsáveis por nossa cegueira consciente em relação á determinada pessoa.
Quando recebi essa mensagem, cada vez que a lia chorava compulsivamente por não querer me desligar daquele passado que jamais voltará a ser presente.
Estou postando ela aqui hoje, pois essa semana eu consegui lê-la sem que uma única lágrima fosse derramada.
E seguindo sua mensagem, eu me desfiz das coisas que me ligavam à aquele passado.
Encerrei, definitivamente, o ciclo...
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“ Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao fim.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando porque isso aconteceu.
Pode dizer para si mesma que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que aconteceram conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternos meninos, adolescentes tardios, filhos culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante [por mais doloroso que seja!] destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração...
...e o desfazer-se de certas lembranças significa abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não tem data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”.
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.
Lembre-se de que houve um tempo em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa de orgulho, por incapacidade, ou por soberba mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.
Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu própria, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és...
E lembre-te:
“Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.”
[Fernando Pessoa] ”
sexta-feira, 27 de abril de 2007
Algumas horas na Supervia
Ontem eu andei de trem.
Já perdi a conta de quantas vezes mais fiz isso. Só que dessa vez oi diferente... eu andei de trem com o coração [se é que isso existe ou se é que é possível]. Mas acho que foi bem assim mesmo.
Eu olhava para as pessoas e via vida, histórias em cada uma delas.
Caras sorridentes; olhos tristes; semblantes vazios; olhos fechados num sono embalado pelo cansaço e pelo balanço da condução; angústia; alegria; preocupações; novidades; diversas sensações coexistindo naquele mesmo vagão.
A cada pessoa que entrava eu criava novas histórias e uma vasta gama de possibilidades para cada uma delas.
Minha imaginação voava longe, liberta de qualquer amarra.
Mas em meio a picolés, amendoins, buraco “à vera”, bananadas e todos e quaisquer produtos que vinham sendo oferecidos pela infinidade de ambulantes, minha atenção prendeu-se à 4 personagens de minha própria história no trem.
São eles: um cara sem camisa e de bermuda preta, que apresentava deficiência mental [leve para moderada – ouso dizer, em minha humilde ignorância]; a mulher que conversava com ele; uma jovem negra-obesa-evangélica e um ambulante idoso.
Para cada um dos 4 eu criei minha própria versão da vida deles; apenas dos 2 primeiros eu pude constatar fragmentos; os outros 2 eu brevemente esquecerei, pois vou me cansar de torturar-me com todas as possibilidades de vida que cria para cada um.
Bom, o cara com problemas mentais conversava com essa mulher, que usava uma blusa rosa desbotada e carregava um daqueles sacos-de-lixo pretos enorme, contendo um grande volume. Eles vinham em pé, parados à porta que se encontrava em minha frente.
Eles conversavam animadamente.
Ela, com uma cara de pisteira braba, uma voz irritante e a demonstração verbal de seu pouco estudo.
Ele, apenas mais um “louco”, que eu juro que é aviãozinho. Ele tem cara de ser querido na comunidade, amigo do dono da boca. O verdadeiro “maluco beleza”. Sempre com um sorriso no rosto, que ignora as maldades do mundo devido a sua doença.
Ela, mesmo aparentando ser apenas mais uma puta rampeira, era a única que dava confiança para ele.
Posteriormente descubro que ele estava com a “esposa” e a filhinha naquele mesmo vagão. Para essa última ele olhava com tanto amor, o carinho e o cuidado dispensados com aquela criança eram nítidos em seus olhos.
Fiquei emocionada.
Admito que nunca pensei que com o binômio miséria e demência não esperava me deparar com tanto amor, ainda mais visíveis assim. Era amor com alma.
E ela era a “olheira” do jogo de buraco, estava sendo paga por um negão com cara de malandro para olhar as cartas dos seus adversários.
Óbvio que o negão ganhou o jogo ela, tendo desempenhado seu trabalho com maestria, foi devidamente remunerada.
Possivelmente eu nunca mais vá os ver, mas algo deles [do Eu existente, do Eu real] pude perceber.
Mas não me cabe julgar nenhum dos dois.
E quanto aos outros 2; a jovem: eu me detive em observá-la após notar que seus olhos estavam em mim e que nossos olhares constantemente se cruzavam.
Somos opostos, porém formamos uma mesma moeda, que é a humanidade.
Me interessei em criar uma história para ela por acreditar que nossas vidas são completamente distintas: negra – branca / obesa – “normal” / evangélica – liberta de religiões / repressão – liberdade /...
Poderia enumerar diversas diferenças, mas o que importa é que sei que despertei nela a mesma sensação.
Acho que ela se idealizou e era a minha imagem que queria ver refletida ao se olhar no espelho. Não agirei com hipocrisia dizendo que gostaria da mesma coisa, mesmo com todas minhas loucuras, continuo me preferindo. E tenho certeza que ela também se preferiria se fosse além da minha aparência.
Minhas aflições em troca de um cabelo liso? Não, não vale mesmo. E ela concordaria comigo.
Aposto que ao desembarcar na estação de Saníssimo e seguir para sua casa, ela ia revoltada com a vida e com Deus [mesmo sendo uma religiosa obrigada] por não ter o mesmo biótipo da branquela.
Esses moldes sociais realmente deturpam a mente do ser humano.
Mas eu nunca saberei se minhas divagações são reais.
Quanto ao ambulante idoso: nem havia reparado em sua presença, quando ele surgiu eu me deliciava com um picolé Moleka de graviola, que custa apenas R$ 0,50 e é realmente a “fruta no palito” como me anunciou o ambulante que me vendeu [acabei descobrindo que a fábrica de tão magnífico picolé localiza-se em Nilópolis e sinto-me tentada a ir até lá adquirir alguns exemplares de graviola para o freezer de minha casa].
Só me dei conta da presença do senhorzinho após meu irmão me perguntar se eu não desejava algumas balas. Ao receber uma resposta negativa ele me inquiriu se eu não me sentia penalizada por aquele velhinho ter de estar vendendo balas no trem.
Eu respondi afirmativamente. Mas quase que instantaneamente comecei a me perguntar os motivos daquele senhor encontrar-se em tão desprivilegiada situação.
Comecei a indagar-me a respeito de sua vida passada, de como havia sido sua infância e juventude, se possuiu uma família estruturada que tenha se importado com seu desenvolvimento sócio-intelectual, com suas companhias, as havia tido a oportunidade de estudar e mais uma série de perguntas pertinentes ao tema.
Após explorar todas as possibilidades um dos meus Eu’s continuou penalizado, pois aquele homem pode ter sido massacrado pela vida, sofrendo a falta de oportunidades e a má sorte do mundo. Mesmo tendo se esforçado exaustivamente, ainda hoje é obrigado a levantar cedo e trabalhar naquele vai-e-vem / entra-e-sai pelos vagões, na tentativa de garantir seu precário sustento.
Mas um outro de meus Eu’s encarou aquela situação como uma conseqüência normal na vida de alguém que durante seu percurso no mundo não se preocupou com seu futuro, tratando de aproveitar cada segundo de sua juventude desperdiçando-a na esbórnia de uma vida boêmia.
Longe de mim condenar a diversão; sou completamente a favor da cervejinha com os amigos, da feijoada de domingo [em boa companhia e regada à caipirinhas] e tantos outros prazeres que a vida nos oferece.
Mas acho que tudo de ver ser dosado, respeitando as horas para exercer cada uma dessas atividades. Tudo em demasia é prejudicial.
Ele pode ter priorizado sua vida social e hoje, nada mais natural, do que em avançada idade ter que desempenhar a árdua tarefa.
É, mais uma vez não saberei a verdade que há por trás daquele rosto que se apresentou a mim tão triste e cansado de sua rotina.
Ninguém pode me dar a verdadeira resposta, a não ser cada uma dessas 4 pessoas. Mas creio que não terei essa oportunidade, pois mesmo que a vida nos coloque novamente no mesmo vagão, não terei coragem de perguntar a versão verídica de suas vidas.
Apenas sei que passarei a andar mais de trem, talvez uma vez por semana, para sempre me lembrar de como é e, de como pode ser o mundo.Sem me esquecer que no fim, a sua constituição depende unicamente de nós, do rumo que damos a nossa própria vida, pois inevitavelmente é nosso comportamento e nossas escolhas no hoje que refletirão em nosso amanhã.
E não pensar no futuro é irreal se você não possui idéias suicidas...
Já perdi a conta de quantas vezes mais fiz isso. Só que dessa vez oi diferente... eu andei de trem com o coração [se é que isso existe ou se é que é possível]. Mas acho que foi bem assim mesmo.
Eu olhava para as pessoas e via vida, histórias em cada uma delas.
Caras sorridentes; olhos tristes; semblantes vazios; olhos fechados num sono embalado pelo cansaço e pelo balanço da condução; angústia; alegria; preocupações; novidades; diversas sensações coexistindo naquele mesmo vagão.
A cada pessoa que entrava eu criava novas histórias e uma vasta gama de possibilidades para cada uma delas.
Minha imaginação voava longe, liberta de qualquer amarra.
Mas em meio a picolés, amendoins, buraco “à vera”, bananadas e todos e quaisquer produtos que vinham sendo oferecidos pela infinidade de ambulantes, minha atenção prendeu-se à 4 personagens de minha própria história no trem.
São eles: um cara sem camisa e de bermuda preta, que apresentava deficiência mental [leve para moderada – ouso dizer, em minha humilde ignorância]; a mulher que conversava com ele; uma jovem negra-obesa-evangélica e um ambulante idoso.
Para cada um dos 4 eu criei minha própria versão da vida deles; apenas dos 2 primeiros eu pude constatar fragmentos; os outros 2 eu brevemente esquecerei, pois vou me cansar de torturar-me com todas as possibilidades de vida que cria para cada um.
Bom, o cara com problemas mentais conversava com essa mulher, que usava uma blusa rosa desbotada e carregava um daqueles sacos-de-lixo pretos enorme, contendo um grande volume. Eles vinham em pé, parados à porta que se encontrava em minha frente.
Eles conversavam animadamente.
Ela, com uma cara de pisteira braba, uma voz irritante e a demonstração verbal de seu pouco estudo.
Ele, apenas mais um “louco”, que eu juro que é aviãozinho. Ele tem cara de ser querido na comunidade, amigo do dono da boca. O verdadeiro “maluco beleza”. Sempre com um sorriso no rosto, que ignora as maldades do mundo devido a sua doença.
Ela, mesmo aparentando ser apenas mais uma puta rampeira, era a única que dava confiança para ele.
Posteriormente descubro que ele estava com a “esposa” e a filhinha naquele mesmo vagão. Para essa última ele olhava com tanto amor, o carinho e o cuidado dispensados com aquela criança eram nítidos em seus olhos.
Fiquei emocionada.
Admito que nunca pensei que com o binômio miséria e demência não esperava me deparar com tanto amor, ainda mais visíveis assim. Era amor com alma.
E ela era a “olheira” do jogo de buraco, estava sendo paga por um negão com cara de malandro para olhar as cartas dos seus adversários.
Óbvio que o negão ganhou o jogo ela, tendo desempenhado seu trabalho com maestria, foi devidamente remunerada.
Possivelmente eu nunca mais vá os ver, mas algo deles [do Eu existente, do Eu real] pude perceber.
Mas não me cabe julgar nenhum dos dois.
E quanto aos outros 2; a jovem: eu me detive em observá-la após notar que seus olhos estavam em mim e que nossos olhares constantemente se cruzavam.
Somos opostos, porém formamos uma mesma moeda, que é a humanidade.
Me interessei em criar uma história para ela por acreditar que nossas vidas são completamente distintas: negra – branca / obesa – “normal” / evangélica – liberta de religiões / repressão – liberdade /...
Poderia enumerar diversas diferenças, mas o que importa é que sei que despertei nela a mesma sensação.
Acho que ela se idealizou e era a minha imagem que queria ver refletida ao se olhar no espelho. Não agirei com hipocrisia dizendo que gostaria da mesma coisa, mesmo com todas minhas loucuras, continuo me preferindo. E tenho certeza que ela também se preferiria se fosse além da minha aparência.
Minhas aflições em troca de um cabelo liso? Não, não vale mesmo. E ela concordaria comigo.
Aposto que ao desembarcar na estação de Saníssimo e seguir para sua casa, ela ia revoltada com a vida e com Deus [mesmo sendo uma religiosa obrigada] por não ter o mesmo biótipo da branquela.
Esses moldes sociais realmente deturpam a mente do ser humano.
Mas eu nunca saberei se minhas divagações são reais.
Quanto ao ambulante idoso: nem havia reparado em sua presença, quando ele surgiu eu me deliciava com um picolé Moleka de graviola, que custa apenas R$ 0,50 e é realmente a “fruta no palito” como me anunciou o ambulante que me vendeu [acabei descobrindo que a fábrica de tão magnífico picolé localiza-se em Nilópolis e sinto-me tentada a ir até lá adquirir alguns exemplares de graviola para o freezer de minha casa].
Só me dei conta da presença do senhorzinho após meu irmão me perguntar se eu não desejava algumas balas. Ao receber uma resposta negativa ele me inquiriu se eu não me sentia penalizada por aquele velhinho ter de estar vendendo balas no trem.
Eu respondi afirmativamente. Mas quase que instantaneamente comecei a me perguntar os motivos daquele senhor encontrar-se em tão desprivilegiada situação.
Comecei a indagar-me a respeito de sua vida passada, de como havia sido sua infância e juventude, se possuiu uma família estruturada que tenha se importado com seu desenvolvimento sócio-intelectual, com suas companhias, as havia tido a oportunidade de estudar e mais uma série de perguntas pertinentes ao tema.
Após explorar todas as possibilidades um dos meus Eu’s continuou penalizado, pois aquele homem pode ter sido massacrado pela vida, sofrendo a falta de oportunidades e a má sorte do mundo. Mesmo tendo se esforçado exaustivamente, ainda hoje é obrigado a levantar cedo e trabalhar naquele vai-e-vem / entra-e-sai pelos vagões, na tentativa de garantir seu precário sustento.
Mas um outro de meus Eu’s encarou aquela situação como uma conseqüência normal na vida de alguém que durante seu percurso no mundo não se preocupou com seu futuro, tratando de aproveitar cada segundo de sua juventude desperdiçando-a na esbórnia de uma vida boêmia.
Longe de mim condenar a diversão; sou completamente a favor da cervejinha com os amigos, da feijoada de domingo [em boa companhia e regada à caipirinhas] e tantos outros prazeres que a vida nos oferece.
Mas acho que tudo de ver ser dosado, respeitando as horas para exercer cada uma dessas atividades. Tudo em demasia é prejudicial.
Ele pode ter priorizado sua vida social e hoje, nada mais natural, do que em avançada idade ter que desempenhar a árdua tarefa.
É, mais uma vez não saberei a verdade que há por trás daquele rosto que se apresentou a mim tão triste e cansado de sua rotina.
Ninguém pode me dar a verdadeira resposta, a não ser cada uma dessas 4 pessoas. Mas creio que não terei essa oportunidade, pois mesmo que a vida nos coloque novamente no mesmo vagão, não terei coragem de perguntar a versão verídica de suas vidas.
Apenas sei que passarei a andar mais de trem, talvez uma vez por semana, para sempre me lembrar de como é e, de como pode ser o mundo.Sem me esquecer que no fim, a sua constituição depende unicamente de nós, do rumo que damos a nossa própria vida, pois inevitavelmente é nosso comportamento e nossas escolhas no hoje que refletirão em nosso amanhã.
E não pensar no futuro é irreal se você não possui idéias suicidas...
quarta-feira, 25 de abril de 2007
Little Girl

♫♫ Go away, little girl.
Go away, little girl.
I'm not supposed
To be alone with you.
I know that your lips are sweet,
But our lips must never meet.
I belong to someone else,
And I must be true.
Go away, little girl.
Go away, little girl.
It's hurtin' me more
Each minute that you delay.
When you are near me like this,
You're much too hard to resist.
So, go away, little girl.
When you are near me like this,
You're much too hard to resist.
So, go away, little girl.
Go away, little girl
Before I beg you to stay.
Go away. ♫♫
[Go away, little girl - Johnny Mathis]
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