segunda-feira, 23 de abril de 2007

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"A vida é curta para mais de um sonho"

[Distraídos Venceremos - Paulo Leminski]

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domingo, 22 de abril de 2007

Controle

Eu não sei o motivo, nem ao menos se é esse um fato real ou mera projeção, mas a verdade é que encontrei um jeito de não chorar ou pelo menos de minimizar meu pranto.
Eu canalizo todo o meu desassossego em letras, que formam palavras, que formam frases, que refletem o que sinto, sintetizando toda minha angústia.

Escrever simplesmente oprime minha dor.
Talvez seja a ação de torná-la palpável, explicável, visível [melhor dizer, legível]. Eu desconto toda minha raiva em folhas [as que estiverem pelo caminho, sem exceção]. Transformo o desespero em fúria literária, escrevendo ininterruptamente a minha dor, personificando meus dissabores com a vida.
E de repente, não mais que de repente, cessa-se o desespero, deixando o silêncio do desamparo.
Sem face molhada, sem lágrimas, sem choro...
Apenas eu, a caneta e as folhas onde posso reler meu sofrimento por quantas vezes sentir vontade. Posso reviver a dor nos momentos que julgo oportunos. E mesmo assim não choro...

Eu não sei se essa é a explicação para o que me ocorre, mas foi apenas isso o que pude pensar depois de mais um ataque de fúria literária ocasionado pelos genitores magníficos com os quais fui abençoada [Ic].
Talvez essa não passe de mais uma de minhas loucas suposições, mas o realmente importa é que mais uma vez sofri sem chorar.

Acho que isso me dará a frieza e dureza necessárias para conviver numa sociedade suja, da qual não aceito as regras e que destrói-me com suas máscaras.
Ainda sofro, mas já não choro sempre.
Meu peito se oprime em um pranto sufocado e esboço um falso sorriso acompanhado de u singelo comentário, tecido com uma certa malícia inconsciente.
E assim, à cada dia, vou aprendendo uma nova maneira de se viver nesse mundo ao qual nunca vou pertencer...

O sono se apossa de mim permitindo que não mais sofra ou pense.
Agradeço-te por ser assim.
Após transcrever minhas agonias, a sensação de fraqueza se apossa de mim, levando-me ao sono quase que instantaneamente.

Essa é minha semi-existência....

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Singelo apelo


Me permitam a fraqueza... és uma aliada.
Me permitam a dor... és minha última companheira.
Me permitam a loucura... és o que me restas.
Mas, acima de tudo, me permitam a morte... pois, só esta és meu alívio.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

A virtude

A ignorância é uma virtude. Para ser mais exata, ela é uma bênção, por que não dizer, a maior bênção que pode ser oferecida a um ser humano.

Ter consciência nos dá o maldito dom de descortinar opções. Aí é que está a perdição... ter opções constitúi-se numa maldição.
Você analisa todas as suas possibilidades, questiona-se e no fim, só o que te resta é a loucura.

Eu ODEIO ser um ser pensante, formador de minhas próprias opiniões [e capaz de influenciar outros indivíduos], cético, analítico, desbravador, curioso, com a ânsia maldita de saber sempre mais, de saciar meu desejo maléfico de "verdade".
Isso é como um câncer, que cresce, te consome, te corrói...
Só espero que as metástases se apoderem logo do meu corpo e me libertem desse cárcere palpável, em mim mesma, e do caos mundano; pois só assim, sei, que serei feliz.

[Numa próxima oportunidade esclarecerei minha retórica à respeito da Ignorância].

Sem mais...

terça-feira, 17 de abril de 2007

Blackbird

Ouvindo "Blackbird" me pergunto sobre as relevâncias da vida.
Cada vez que a ouço, minha mente afugenta-se em um lindo espaço arborizado, onde visualizo o Sean Penn interpretando o San [I'm Sam]. Bem no momento em que ele joga origamis em sua filha.
Acho que essa foi a cena do filme que mais me marcou, realmente inesquecível. Pois ali está inserido o conceito do que realmente seria a liberdade [expressada ali, justamente, em seu oposto].
Ele a ama e mais do que ninguém, é capaz de fazê-la feliz. Só que as pessoas que se julgam sãs o privam de sua liberade: que o direito de estar com ela.

É, a liberdade nada mais é do que um direito; o nosso direito de sermos quem somos, de estar onde queremos, de fazer o quer tivermos vontade. E constantemente ele nos é tirado.
Fascismo.
Mas por outro lado, também, não podemos estar em completa desordem. Sem que hajam certas regras ou leis.
É tudo tão confuso, tão ambíguo.
Eu me assusto e me perco nesse mundo catastrófico.

Tudo deveria ser conceitual, humano, parcial. É, essa é a palavra de ordem - parcialidade - pois à ela está subjugado um envolvimento sentimental, e ao contrário do que afirmaram alguns filósofos, não acho que os sentimentos desnorteiem a razão.
Caso assim o fosse, as pessoas que se amam não se afastariam, e as que se odeiam não permaneceriam ligadas.
Acho, justamente, que eles nos impelem mais discernimento, perpetram a lógica [sempre tão vazia e... lógica] e despontam possibilidades antes inconcebíveis.

Nesse momento minha mente está a esvair-se no completo vazio... talvez esse seja o nada.
Por enquanto prefiro continuar a ouvir a canção e sentir, apenas sentir...


♫♫ Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise.

Blackbird singing in the dead of night
Take these sunken eyes and learn to see
All your life
You were only waiting for this moment to be free.

Blackbird fly Blackbird fly
Into the light of the dark black night.

Blackbird fly Blackbird fly
Into the light of the dark black night.

Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise
You were only waiting for this moment to arise
You were only waiting for this moment to arise. ♫♫

[The Beatles]

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Cool

Eu acho uma das coisas mais escrota do mundo essa onda que certos seres entram de se auto-denomirem cool's.
"Eu vejo filmes europeus... sou cool.
Escuto Chico Buarque e Tom Zé... sou cool
Curto bandinhas de rock descoladas... sou cool
Passo os dias lendo livros dos quais não entendo merda alguma... sou cool."

Porra, tô cansada de ouvir esse bando de babacas que se julgam acima do Bem e do Mal só porque viram todos os filmes do Godard. Entendam, Godard, não é unânime. Não existe unanimidade ou absolutismo. E como já disse João Gilberto: "A unanimidade é burra".

O ápice de suas existências é sentar em bares pelo Centro do Rio após uma incurssão pelo Odeón, CCBB e afins, para que possam discutir sua "coolsidade", como se cada um deles fosse a última Coca-cola light lemon do deserto.
E ainda sentem-se indignados se você não partilha desse mundinho poser deles, te relegando ao mais baixo escalão da escala evolutiva [um verme é bem mais interessante que você, pobre mortal].

Quer saber?
Eu acho é que são todos uns babacas, que se sentem bacanérrimos demais; quando deveriam é sumir, pois a real é que são um bando de chatos sem senso de humor, que se julgam semideuses e se apropriam daquela polidez tipicamente britânica.

Eu quero é sentar num bar e falar besteira, rir, arrotar, ficar bêbada e falar mais besteiras ainda, sem me preocupar com a relevância literária de Bukowski, camus, Hemingway ou Huxley.
Deixo as discussões intelectualizadas pra um momento oportuno e pessoas que realmente gostem e tenham conhecimento do que falm [não o finjam].

Vou compartilhar umas falas que encontrei ontem numa comunidade do Orkut, que me rendeu boas gargalhadas, e são extremamente relevantes.

1. "Indies são pseudo-intelectuais que lêem [ou fingem ler] Sartre, Kierkegaard, Spinoza, vêem filmes cult afegãos e da Nouvelle Vaque francesa [sempre opinando sobre aspectos técnicos], escutam Belle & Sebastian, Thaikovsky e alguma coisa de MPB [o segundo para dar um ar intelectual; o último para rearfimarem o pouco da identidade tupiniquim que ainda lhes resta] e descem o pau na burguesia materialista, apesar de o fazerem, claro, naquele café confortável no bairro burguês da cidade."

2. "Indie é o indivíduo que está na merda e diz que tá coberto de tabaco inglês, num mundo paralelo de pessoas iguais a ele que nunca trabalharam num emprego de verdade, nunca amaram, e que não sabem o que não sabem tirar uma foto."

3. "É um bando de gente super cool e diferente. Assim como os outros 825479123499456... diferentes como eles.

Tais seres usam óculos quadrado de aro grosso, cachecol, coina, topete ou franja, casaco da Adidas, bem como All Star com casaco sem marca. Pode ser tênis e casaco da Puma também. calça larga ou justa [nunca no tamanho certo].

Todos vão para cinemas pequenos assistir filmes belgas-iranianos onde os atores são minhocas mutiladas. Mas o filme fala sobre guepardos alcóolatras desempregados. Obviamente isso representa a repressão da ditadura militar. Nenhum deles entendeu o filme, mas sai de lá como se acabasse de assistir George, o Rei da Floresta, e discutindo as lentes usadas por um tal de Goldberg... que nenhum deles sabe quem é.

E normalmente eles acham legal beijar pessoas do mesmo sexo só para tirar uma de "diferentes do padrão da sociedade alienadora".

4. " * Invertebrados: vive todo desmunhecado, pois isso é hyppe;

* Magro: pq magreza nunca é demais, assim como undergroud. Não como pq é indie, indie só chupa e lambe;

* Gosta de bandas engraçadinhas, com nomes de mais de 300 caracteres, superficiais, insuportáveis e com inclinação pederasta;

* Na exposição de arte fica vislumbrando [pensando na cor do All Star e do vibrador que vai comprar] o extintor de incêndio com a mão no queixo pensando que é uma obra de arte;

* Protetor dos animais [quem come carne merece morrer na câmara de gás, pq é um ser cruel]. A ração dos seus gatos é de brócolis com aspargos. Sonha com o dia em que tigres, leões e tubarões vão comer Cup Noddles sabor pepino.

* Tiozinho de bar: tenta parecer malandrão falando palavrões de última categoria e gírias ao jogar truco, e ao mesmo tempo bebe cerveja da promoção com canudinho e fuma Lucky Strike. depois de ver algum Emo na rua faz algum comentário que contenha a palavra PSEUDO por pelo menos 3 vezes;

* Terceira Evolução Pokemón: 1ª - hardrocker ou hardcore; 2ª - emo ou emo e 3ª Mod, Ultra cult ou Guevaras, Jazzista e Jô Soares.

5. "Intelectualóides e desprezíveis de opiniões pré-fabricadas, "modernos" e com comportamento cult metido a conhecedor de bandinhas novas que surgem a cada 2 semanas no Soulseek, e frequentadores de fanhouses da vida e ainda por cima se julgam alternativos.
Os famosos indies".

Resumindo... intelectualidade é um conceito.
E conceitos são pessoais.
Fiquem espertos!
;)

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Eu quero mesmo

♫♫ Num velho disco a vida se desfaz
Em poucos minutos
Pra onde aquele tempo te levou
Também vou

Pode ser numa canção
Pode ser do coração
Eu só quero ter você por perto

Se é pra tocar o ceú e me lembrar
Do canto de um anjo
Naquele empoeirado LP
Encontro você

Foi-se o tempo em que sozinho
Maltratei meu coração
Me contou um passarinho:
Tristeza é sem razão♫♫


[Pato Fu - Por Perto]